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Quando o carnaval passar

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A Política é a senhora de todas as artes, de todas as ciências. É   o que se pode depreender da interpretação aristotélica, em sua mais famosa obra:   Política. Arte entre os gregos clássicos configurava-se como a extrema essência do belo – o ser e o devir. Os gregos clássicos não separavam, a rigor o homem público do homini privado, de modo que a virtude do homem público não poderia/deveria ser diferente do homini privado. Em outras palavras, seria ilógico ser e não ser, ao mesmo tempo, duas coisas, dois seres distintos. Nicolau Maquiavel, muitos séculos depois, para ser mais preciso, no século XV, ao analisar a Política sobre a perspectiva realista, com base em métodos mais eficiente de observação e detalhamento, separou o homem público do homini privado, demonstrando que a Política tem sua própria razão de ser, embora seja uma construção humana. Ela tem como centralidade à conquista e/ou manutenção do Poder, sendo necessário para tanto “virtude” e/ou “fortuna”. De pr...
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                                    Candidat@(s), e por que não? “Não há nada de errado com aqueles que não gostam de política, simplesmente serão governados por aqueles que gostam.” (PLATÃO)   As eleições municipais aproximam-se, e com isso as redes sociais são turbinadas com perfis de candidatos para os legislativos e executivos municipais, de todos os tons, cores e matizes ideológicos. Candidatos gestores, professores, advogad@s, jornalistas, enfermeiros, assistentes sociais, sociólogos, cientistas políticos, garis, donas de casas, delegados, promotores, juízes, farmacêuticos, médicos, “gregos”, “troianos”, “amadeus”, “bêbados”, equilibristas, pintores, motoristas, navegantes, influencer, jovens, velhos, adultos, sonhadores, pessimistas, realistas. Para Max Weber, substantivamente, todos com vistas a viver da Política e/ou para Política, ou as duas coisas juntas, sendo perfeitame...

A (S) DEMOCRACIA (S) É (SÃO) QUILHA (S)

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      Gosto de pensar a(s) democracia (s) como quem navega por rios e mares. Existem rios de todos os tipos, retilíneos, rochosos, arenosos, caudalosos, turvos, límpidos, ondulados, serpenteados. Também os mares; os oceanos: atlântico, pacífico, índico etc. Eles carregam seus mistérios e belezas singulares.     Mares e rios, de todos os tipos, têm em comum a reunião, a confraternização, o encontro. Os mares recebem os desejos e memórias dos rios, que nascem pequenos de alguma fonte, e vão crescendo, gota a gota, formando fios contínuos, de uma reunião que vai se encorpando e desaguando em outras reuniões para formar os igarapés, riachos, rios até chegar  à reunião maior - o mar       Oceano. Para navegar pelos mares e rios fazem-se necessários meios eficientes e eficazes, e timoneiros competentes para que, ao longo do percurso, a canoa, o barco e/ou navio não afunde, tombe. Muitas vezes, ao longo da viagem, o timoneiro ...

O homicídio

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Quando criança, lá no interior do seringal, bem no meio da floresta, cometi um crime capital. Não havia planejado, mas sentia que carregava um desejo para consecução da ação delituosa. Afinal, nas redondezas, todos os meus amigos carregavam em suas poderosas armas, as marcas de suas virtudes bélicas. Era estranho, havia marcas em V, quanto mais V´s, mais sinônimo de glória, e, em minha arma, nenhum sinal de bravura bélica. Apesar de não estarmos vivendo nenhuma guerra aparente, criávamos o cenário de guerra, com vítimas que não tinham condições alguma de se defender, se não, esconder-se na ampla floresta tropical. Certo dia, porém, repentinamente, estou eu no aceiro da mata, quando vejo ao longe a presa desprevenida ao sol. Rapidamente saquei a arma e fui ao encontro, pelo meio do bambuzal, e desferi o tiro fatal. Um tanto nervoso, aproximei-me para conferir a execução. Tiro certeiro, bem no coração, pronto, havia consumado o crime, embora ninguém tivesse visto. ...

Sentimentos do mundo

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Minha terra agoniza de dor os sentimentos do mundo, lágrimas e corpos rumam, de algum modo, para o Negro -    Solimões, em direção ao Oceano; Cá distante, o peito aperta, acelerando as batidas de um coração aflito como se não houvesse quimera; Dói, não a falta de velas, mas não poder espiar o último  a-DEUS dos que partem deste mundo, de tantos encantos, mas de tantos monstros a brandir - em forma de escárnio – o sofrimento, daqueles que “JAZ” vão; Nosso grande Ajuricaba, da tribo dos Manaós – nada pode fazer – senão confortar o coração dos guerreiros (profissionais da saúde e tantos outros) que estão na linha de frente,  enfrentando não mais o colonizador, mas os próprios colonizados, Como alento, acalentam-se nos poemas e poesias do imortal Thiago de Mello PARA OS QUE VIRÃO , nas vozes melodiosas dos Raízes Cablocas, dos Garantidos mais Caprichosos; Haverá um tempo em que nos orgulharemos de ser gente - de carne e osso - sem rótulos,...

Cidadãos, sim; devotos, não.

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Tenho estudado, ao longo dos últimos vinte anos, na condição de pesquisador, de professor e de cientista político, o processo político brasileiro. Nesse período, escrevi alguns livros e artigos sobre o tema. Confesso que, mesmo assim, não tenho qualquer pretensão de ter a chave mestra para interpretação do fenômeno político brasileiro como algo pronto e acabado. Longe disso, pois a Ciência Política, como qualquer outra Ciência, procura estudar o fenômeno com objetividade, com a devida vigilância epistemológica, ainda que estes sejam tão dinâmicos. Apesar disso, há algumas inferências possíveis de serem feitas com forte grau de assertividade ao longo deste período que são impeditivos para realização da democracia, mesmo a liberal: o comportamento eleitoral brasileiro é fortemente marcado pelo messianismo; as oligarquias e os grupos partidários têm como intuito principal sua reprodução e ou permanência no Poder; há pouquíssimas lideranças comprometidas efetivamente com a  Res (c...

O Outro

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Um dia, tu se depararas consigo mesmo e, no espelho, perguntar-se-á, com os olhos já enrrugados pelo tempo, a que ponto chegastes tua desrazão/ódio, que te fez negar o outro de ti, quando do outro, sempre, dependeu a tua própria existência.