Nós, doutores...


Já passei vários apuros com essa história de ser doutor. A primeira vez foi quando, após minha Defesa de Tese, fui visitar meu pai. Meus primos falaram para ele que eu era doutor. Quando cheguei lá, meu pai deu-me parabéns, e foi logo dizendo: “filho, tenho uns vizinhos que estão doentes, você poderia consultá-los? Tentei explicar para ele que eu era doutor de outra espécie, e não tinha competência para consultar. Ele ficou todo ofendido e disse: “meu filho, não faça isso! Seja solidário, consulte os vizinhos”. Então eu disse: pai, tudo bem, vou consultá-los, mas diga a eles que nesta primeira visita falarei sobre prevenção sistêmica (risos), onde abordarei o comportamento político, Estado, Poder, Governo, Eleições e Políticas Públicas. Meu pai nunca entendeu como é que eu era doutor, mas não consultava e nem operava. Risos.

Noutra oportunidade, chegamos à casa de minha sogra, e lá estavam algumas pessoas para consultar. Minha querida sogra tinha divulgado nas redondezas que seu genro e sua filha eram doutores e estavam a chegar. Até convencer o povo que – apesar de doutores – não consultávamos, foi um deus nos acuda.

No interior, mesmo em muitos centros urbanos populosos, vale a concepção muito difundida pelas (toridades) de que doutor é o médico e/ou o advogado.


Sinceramente, agradeço pela deferência ao título, mas dele só preciso academicamente. Jamais quero ser tratado de forma diferente por ter ou aquele título, pois doutores mesmo são os homens providos de sabedoria, que a mim... falta bastante... Sou apenas um curioso pelo saber.

A única honraria que desejo é poder fazer alguma coisa de útil pela sociedade e ter minha cinzas jogadas ao vento, manisfestando que este ser vivente foi um amante da Liberdade e da Justiça Social.

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