Facebook: Ágora e agora
Atribuem-se aos gregos atenienses à criação da democracia
clássica, isto é, a origem de um governo baseado na escolha da maioria (povo),
que decidia na Ágora (Praça Pública) os melhores caminhos para sua República, a -Pólis(cidade-estados).
Na ágora, todos os cidadãos (homens livres, intelectuais e
proprietários) podiam votar e ser votado, enquanto que os não cidadãos tinham
direito a voz, mas não ao voto. Em certa medida, a ágora ateniense é o primeiro
formato, mais definido, do ideal de construção de um “Doxa Pública” (Opinião Pública)
mais generalizante, ao menos, territorialmente falando.
Passados vinte cinco séculos, alguns garotos, “brincando de
Deus” criaram uma nova “Ágora”, isto é, “ Facebook”, um ambiente virtual
em que tudo, absolutamente tudo, pode ser dito, ainda que você não
concorde. Verdade são descontruídas,
mentiras são tidas como verdades, verdades são transmitida e retransmitida em
tempo real – Agora.
Pela primeira vez na história da sociedade humana, guardadas
as devidas proporções, os humanoides de todos os gêneros e espécies estão
conectados numa grande “ágora”, na
praça pública virtual, tecendo novas configurações sociais, econômicas,
políticas, culturais, assim como, construindo novas sociabilidades por meio de
uma “tele realidade”.
Nesse sentido, numa metáfora da expressão de Descartes,
pensador francês e um dos inventores do racionalismo moderno: “penso, logo
existo” foi transformada em estou conectado, logo existo.
Vivemos o radicalismo do simulacro do real onde a “Ágora”
moderna, especialmente o facebook, é
o espelho de narciso, transformando-nos em facebookianos.
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